Conecta Imigrantes: curso integra colegas e aproxima estrangeiros da cultura brasileira
Há um detalhe que chama atenção antes mesmo de qualquer discurso começar: o mapa-múndi cabe inteiro dentro da Aurora Coop. Ele aparece nos corredores, nos refeitórios, nas linhas de produção e, sobretudo, nos sotaques. Espanhol, crioulo haitiano, português atravessado pela pressa de quem precisou recomeçar a vida longe de casa. Esse mosaico humano ganhou voz, emoção e reconhecimento institucional durante as homenagens de conclusão do curso Conecta Imigrantes, promovido pela Fundação Aury Luiz Bodanese (ALB) e pela Aurora Coop.
O curso foi realizado em Erechim (RS), com 29 colaboradores imigrantes das unidades Aurora Coop Erechim I e II, e em Guatambu, onde envolveu 30 participantes. Desde fevereiro, as turmas participaram dos encontros semanais, e, em maio, as cerimônias de conclusão celebraram o conhecimento adquirido e os vínculos construídos durante a jornada.
Para os participantes, o Conecta Imigrantes funcionou como uma espécie de ponte invisível entre dois mundos: o país que ficou para trás e o Brasil que ainda precisa ser decifrado. Darwin Barreto, de 22 anos, atravessou essa ponte. Venezuelano, estudante de engenharia elétrica em seu país de origem, ele chegou a Chapecó há cerca de um ano e meio e quer crescer dentro da empresa. Pensa em estudar gestão de pessoas ou recursos humanos, ao descobrir uma nova paixão depois da imigração: trabalhar com gente.
“Esse curso mudou o jeito que eu tinha de enxergar as coisas, tanto na vida pessoal quanto na profissional. Eu entendi muitas coisas da Aurora Coop e da Fundação. Aprendi sobre gestão financeira, saúde mental, construção de vínculos”.
PLURALIDADE
Hoje, a Aurora Coop possui mais de 14 mil imigrantes em seu quadro funcional, com mais de 20 nacionalidades convivendo diariamente. O gerente da unidade da Guatambu, Gustavo Oscar Hoelscher, percebe uma mudança concreta nos participantes depois do curso. “A evolução é bem nítida. Percebemos uma interação diferente e eles se tornam multiplicadores para os novos estrangeiros que chegam na unidade ou no município.”
Os gerentes das unidades da Aurora Coop em Erechim destacaram o Conecta Imigrantes como uma ação prática de acolhimento e integração dentro da cooperativa. “Essa é uma das formas de exercemos o propósito da Aurora Coop: cuidar de cada um para despertar a prosperidade de todos. Isso não está apenas nas nossas palavras, mas nas nossas atitudes, nossas escolhas e principalmente no cuidado que temos com as pessoas”, disse o gerente da unidade FAER I, Bernardo Dimer Beledelli. O gerente do FAER II, Jaison Senem, complementa sobre o ideal do aprendizado adquirido ser repassado aos demais colegas, fortalecendo ainda mais os vínculos. “O projeto cria aproximação entre as pessoas, ajuda na adaptação e faz com que os colaboradores se sintam pertencentes”.
A Gerente Corporativa de Pessoas e Cultura da Aurora Coop, Suelen Pratto, lembra como o projeto se tornou de tamanha relevância. “Começou como uma sementinha muito pequena. A ideia era entender como poderíamos acolher e aculturar pessoas que são tão importantes para nós. Hoje percebemos que o projeto se transformou em um espaço de troca, onde as pessoas aprendem juntas, se conhecem e criam conexões no dia a dia”. Desta forma, segundo ela, a integração vira pertencimento. “Quando as pessoas conseguem se sentir parte, elas também conseguem crescer junto com a cooperativa.”
TRANSFORMAÇÃO
O presidente da Fundação Aury Luiz Bodanese, Oscar Trombeta, afirmou que o objetivo do projeto é transformar inclusão em prática concreta. “Nós vivemos numa sociedade multifacetada. Nada mais justo do que desenvolver ações no sentido de incluir as pessoas. Não apenas no discurso ou na retórica, mas em práticas que tragam resultados positivos.”
Os 10 módulos do curso abordaram temas como cooperativismo, comunicação, educação financeira, saúde mental, direitos e deveres, relacionamento interpessoal, segurança e educação ambiental.




